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  • Foto do escritorBruna Lopes

Tendências 2024 e as novas formas de viver a casa


Mulher trabalhando em mesa móvel de serralheria, com ármario com nichos em azul ao fundo. Prateleiras em serralheria também podem ser vistas no canto superior direito da foto.
Projeto França - Matú Arquitetura

Quando nos deparamos com a palavra “tendência”, é muito fácil sermos atingidos por uma sensação de urgência e desejo de consumir e acompanhar as novidades de uma forma não tão positiva; algo muito próximo ao “FOMO” - “Fear Of Missing Out” ou “medo de ficar de fora”, em tradução livre -, expressão que ganhou forças nos últimos anos.


Porém, é possível se relacionar com esse conceito de um modo mais tranquilo e saudável se lembrarmos de como e por que as tendências surgem: de tempos em tempos, novos acontecimentos ao redor do mundo causam impactos de diferentes níveis nas formas como percebemos a realidade, nos comportamos, comunicamos e claro, consumimos. Acontecimentos de menor impacto costumam gerar as chamadas microtendências, enquanto acontecimentos de maior impacto geram macrotendências ou até mesmo novos paradigmas, aqueles que conseguem se sustentar por décadas.


As tendências de arquitetura e interiores para 2024 se alinham mais ao segundo grupo - de macrotendências e paradigmas - uma vez que ainda refletem bastante as mudanças no nosso modo de viver e experienciar os espaços após a pandemia da Covid-19. E isso se aplica tanto a tendências visuais quanto a tendências funcionais. Um estilo de vida híbrido, com home-offices devidamente equipados, preparo de refeições rápidas e o alternar acelerado e frequente entre momentos de trabalho e de “não-trabalho” ditam as escolhas mais populares da vez.


EXPERIÊNCIA E FUNÇÃO


Espaço de home-office dentro do quarto de hóspedes de um apartamento.
Projeto Arluzia - Matú Arquitetura

De acordo com uma pesquisa recente realizada pela IKEA, 3 a cada 5 pessoas precisaram mudar a organização de suas casas nos últimos anos. A vivência pós-pandêmica elevou a potência que a multifuncionalidade de nossos lares pode ter. Essa nova macrotendência da multifuncionalidade tem sido dividida entre pesquisadores da área em três pilares: WORK, REST e PLAY.


A frente “WORK”, que nesse contexto se traduz como “trabalhar”, se volta muito às ideias de produtividade, economia de espaço, versatilidade prática e organização.


Ao sermos pegos de surpresa pela pandemia em 2020, muitos de nós apenas adaptamos algum “cantinho” da casa para continuar exercendo nossas funções no formato home-office. No início, pensávamos também que essa modalidade do trabalho remoto talvez durasse apenas algumas semanas. 3 anos depois, está claro que o espaço dedicado a essa atividade deve ser bem pensado a fim de não comprometer nem nossa produtividade, nem nosso conforto (ou até mesmo saúde).


Home-office e ateliê de alfaiataria.
Projeto Gávea - Matú Arquitetura

Por conta disso, vale a pena investir um pouco mais em itens voltados a essa finalidade, já que a alternativa do home-office veio para ficar. Os holofotes estão direcionados aos mobiliários soltos, como mesas de trabalho com dimensões mais bem-pensadas e que incluam gavetas ou nichos para armazenamento de materiais. As cadeiras também ganham maior atenção, com novas opções oferecendo a combinação necessária entre ergonomia e estética. Já a decoração para essas áreas deve ser equilibrada: a ideia é dar leveza ao espaço sem se tornar uma distração. Plantas fáceis de cuidar e quadros com cores leves e ilustrações abstratas são boas opções.





Banheira em cimento, paredes com revestimentos quadrados perolados e suporte específico para banheiros, com taça de vinho em cima.
Projeto Jeoni - Matú Arquitetura

Já a frente “REST”, ou “descansar”, se orienta através das novas discussões em torno de temas como bem-estar e saúde mental. O chamado “descanso restaurativo” está sendo buscado dentro de casa cada vez mais, através, por exemplo, de banhos com novos elementos sensoriais e do boom ainda ressoante dos produtos de skincare. Com isso, o banheiro passou a ter o título de “cômodo do autocuidado”, e agora recebe mais atenção nas escolhas de seus revestimentos, voltados às sensações de tranquilidade e conforto, e até mesmo na inclusão de lâmpadas inteligentes em sua iluminação, para a prática da cromoterapia.


Outra área da casa que agora recebe mais atenção é o jardim. Também como consequência de uma das paixões mais difundidas durante o isolamento social, espera-se que em 2024 este espaço continue recebendo bastante atenção, não só em relação às plantas em si, mas também às ferramentas e acessórios que acompanham essa atividade, percebida por muito como um momento de relaxamento.


Banheiro branco com detalhes em laranja, móvel em madeira e banheira ao fundo, dentro do box.
Projeto Arluzia - Matú Arquitetura

Já uma característica que poderá ser observada em basicamente qualquer cômodo da casa no próximo ano é o “efeito casulo”: ambientes que são projetados para fazer as pessoas se sentirem confortáveis, seguras e bem-aconchegadas, como se estivessem em um casulo acolhedor.


Cores suaves, iluminação aconchegante, texturas confortáveis, móveis de aspecto acolhedor e até mesmo isolamento acústico são as características ideais para proporcionar este efeito no ambiente, tornando-o tranquilo e protegido.










A terceira e última frente, "PLAY", se aproveita da amplitude deste verbo em inglês: aqui, ele se aplica tanto como “brincar” ou “se divertir” quanto como “tocar” e “jogar”.

Sala com piso de taco, altas plantas e uma grande mesa oval ao centro, rodeado por quatro mulheres.
Projeto San Martim - Matú Arquitetura

A ideia da diversão e do entretenimento dentro de casa se fortalece por conta da crise econômica mundial que estamos enfrentando. Com ela, o ato de reunir amigos em casa se fortalece e influencia algumas mudanças: a inclusão de cadeiras dobráveis (agora com um design mais interessante) ou bancos multifuncionais, que possibilitem a recepção de mais pessoas em casa para esses momentos mas também possam ser aproveitados para outros fins nos dias comuns.


Homem tocando violão sentado em uma poltrona preta, localizada em uma sala clara com piso de granilite, quadro com arte em vermelho na parede, luminária de teto e plantas na decoração.
Projeto Arruda - Matú Arquitetura

A decoração também é influenciada por tal movimento: cômodos sociais mais coloridos e divertidos ganham força e ajudam a construir a atmosfera das celebrações indoors.


Por fim, o “tocar” ou “jogar” mais uma vez aparecem como resquícios dos hobbies que adquirimos durante a pandemia: espaços voltados à prática de instrumentos musicais que passaram a ser tocados durante o isolamento, cozinhas mais equipadas para aqueles que descobriram suas paixões pela culinária e panificação, ateliês para outros que se encantaram pelo artesanato ou cerâmica e espaços ou móveis voltados para organização daqueles que agora se dedicam a um novo esporte e precisam de espaço de armazenamento para seus equipamentos.



CARTELA DE CORES


Já no âmbito das cores, duas grandes marcas de tintas divulgaram nos últimos meses suas escolhas oficiais para 2024.

Cozinha com paredes e revestimentos em azul e móveis em serralheria.
Projeto França - Matú Arquitetura

A Suvinil escolheu a cor “Conforto”, um azul claro acinzentado, após se nortear pela pergunta “Como encontrar o equilíbrio?”.


Michell Lott, consultor de cores da Suvinil e diretor criativo do Revela 2024+ justificou a escolha: “O fato de ser uma cor mais fria, clara e levemente acinzentada, cria um contraponto com os terrosos e amadeirados quentes que estão em alta nos últimos tempos gerando, assim, o equilíbrio cromático perfeito para refletir o que buscamos para o estudo de cores de 2024: frescor e descanso para mentes aceleradas”.






Mulher esperimentando jóias em ateliê com cortinas que dividem espaços, luminária de teto e plantas.
Projeto Estúdio Iracema - Matú Arquitetura

A Coral por sua vez elegeu a “Lugar de Afeto” como sua escolha para o próximo ano. Um rosado neutro, que se volta à elegância, leveza e delicadeza.


O tom escolhido é fruto de um estudo de tendências de comportamento e de cores, sobre o qual a gerente de Comunicação de Marketing e Cor, Juliana Zaponi, declara: Quente e delicada, a cor de 2024 traz um toque de suavidade e aconchego à decoração, sem ser excessivamente romântica. Se uma cor pudesse abraçar sua casa, esta cor é, sem dúvida, Lugar de Afeto”.


Já a Pantone não divulgou oficialmente sua cor para 2024 até a publicação deste post. Porém, grandes plataformas como a WGSN apostam que a escolha será “Apricot Crush”, um tom laranja-avermelhado caloroso, que inspira sociabilidade, espontaneidade e autoconfiança.


Quarto com roupa de cama em laranja, cabeceira em madeira e decoração com plantas.
Projeto Coutinho - Matú Arquitetura

É interessante perceber que as escolhas feitas pela Suvinil e Coral são mais tenras e suaves, com ideias que se alinham mais com os pontos sensoriais mencionados anteriormente.


Já a aposta feita em relação à Pantone, por sua vez, é muito mais vibrante e enérgica, o que faz sentido se pensarmos que esse último sistema de cores se volta mais para os universos da moda e do design gráfico.


Uma forma de trabalhar essa combinação nos espaços é manter as cores mais calmas nas pinturas (como elas, de fato, se propõe) e reservar as mais vibrantes para elementos de decór, peças menores de mobiliário e roupas de cama, mesa e banho.


Agora, com todas essas informações em mãos, você pode avaliar o que faz sentido para o seu lar e estilo de vida e começar a pensar nas possíveis atualizações para o ano que se aproxima. Bom planejamento!

(Fontes: Westwing, WGSN, Casa Vogue, Suvinil, Coral e Viva Decora)


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